terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Texto na íntegra: http://manifesteu.blogspot.com.br/2014/01/baus.html


Baús

Quando estiverdes certo de tudo
Espera a próxima brisa
Ela talvez te traga a lembrança
Que a certeza é o início de todas as dúvidas.

Viver é mudar
e uma muda se desnuda para ser árvore,
Que já era, mas precisa crescer pra chegar onde já estava.
E assim o mundo gira, correndo parado de um lado a outro
O troco é dinheiro que se faz do mesmo
E a cada dia a terra chega,
E o troco se renova...

As portas e os caminhos, as bocas dos ninhos
Esperam sempre uma passagem
E agem paradas na simplicidade de apenas estarem.
Tudo que faz parte, que já se espera, nada mais é do que o “já é”
Esperando a hora de não ser mais muda, gritar uma presença absurda
Espelhar a existência que nunca deixa de existir
Mesmo quando não está ali,
Mesmo muda, mesmo chegando, mesmo parada...

Hoje abri meu peito e descobri:


Somos todos um baú de novidades empoeiradas.

                                                           Demócrito Cruz

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Um novo janeiro.

Pequei mil vezes por crer na bondade
O que me foi dado pela  idade
Me foi tirado pela paixão.

Pessoas são feitas de luz
E por vezes ofuscam  olhos alheios
Escondendo a escuridão de um coração com receio.

Senti dores indolores
Nas voltas do tempo menino
Que rege meu espirito peregrino
Ébrio de amores.

A vida é feita de riscos
Não vivamos os medos, aproveitemos o dia!
Pois Ousadia é tinta que corrói os dedos
Do monstro que apaga com lágrima
O nosso esboço da alegria.

Sei agora que o mundo é pequeno
E sei que posso tocar o nascente
Ao namorar o poente.

Sou maior que tudo
Sinto em mim um estremecer absurdo
Um ronco agudo
O acalento chorado de beijos mudos
das ondas lentas de um mar raso,
do fulgor  de um oceano estrelado
e da força extrema de um céu profundo.



Demócrito Cruz



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2013

Mais um ano cansado de sóis e luas
E um novo clareia o horizonte.
As esperanças saltam verdes de coração em coração
E as roupas brancas mostram certezas nuas.
Quando as luzes pipocarem no céu
Trazendo das nuvens a vontade das alturas
Dos sonhos perdidos que o ano velho esqueceu
Contarei cada um, numa conversa com Deus.
E de desejos nascidos com o ano que chega
Farei rosário de pedidos ao mar
Como as ondas que vem e a areia beija

Aos que esqueceram de amar,
Desejo o amargor do arrependimento.
Aos que apenas sofreram
Desejo um bocado de amor;
Aos que saíram as ruas,
Desejo muito mais gritos;
Aos que quebraram as praças,
Desejo a força da vergonha;
Aos que subiram na vida,
Desejo memória.
Aos que viveram de salário,
Desejo ambição, mínima como a conta corrente;
Aos que feriram,
Desejo consciência;
Aos que perderam líder,
Desejo lembrança;
Aos que tem fé,

Não desejo nada, eles já tem tudo.

Demócrito Cruz