Poema ficou em 2º lugar do XXIX Fespofale em Estância/SE - Interpretado por Marcel Paulo Santos.
Sentindo na pele a voz rouca da noite
Pedi aos céus um recesso da vida
A pele me dói na alma como açoite
E o vento sombrio convida à partida.
Sou cego corcel desertor da planície
Sedento de nada, na espera final.
Vejo meu mundo um infinito carnaval
Nos poucos confetes que ainda festejam
Cansados lacrimejam a dor da alegria
Eis a hora, em que o derradeiro verso
Enrijece as artérias, dilui o pensamento
Sou Baco cantador de sonhos submersos
A única voz que chove sem cor a sala vazia
Não desejo agora, a fúria dos demônios
Nem o freio de um mundo inerte corrompido por sorrisos
tolos.
Quero ser a luz que verte a solidão dos aflitos
Quero dos anjos o voo,
Das almas a fé,
Dos bêbados o êxtase,
Das putas o amor.
O gume é imperfeito como o sangue que beija
Murcha a flor de mim a ideologia
E o claro das vistas é cinza
Perfeito é o futuro para quem almeja
Desfaça-se a luz!
O espírito velho reclama regaço
Nas mãos do destino me faço autor
Sou meu servo, meu algoz, meu senhor...
Tranquei o pecado no limbo das virtudes
- É hora! –
A leve brisa ensaia na cortina um “adeus”
Fugindo da existência prendo-me à liberdade.
Na vida fui nosso, na morte fui EU.
Demócrito
Cruz Santos
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