sábado, 17 de agosto de 2013

Toque


É na distancia que dois corpos se desmerecem.
A visão atiça os sentidos da escolha egoísta.
Na verdadeira dor os corações esbravejam,
Reviram e desejam o amado perfeito.
Ver é enganar-se
Deixar que a luz que os corpos refletem
Falem na altura dos desejos mais desejados...
No cerrar das pálpebras
No enroscar de cílios que se abraçam
Ali se tem o homem
Animal divino em sua complexidade cega.
É no tato que se revela o verdadeiro e necessário sentido
No entrelaçar de braços
No tocar dos lábios ardentes em salivas doces
É quando as escolhas se esvaem,
Os desejos saem.
E o mundo escuro das pupilas mudas
Se contenta com a visão pequena
De peles, de cabelos...
Grandes aromas esquecidos
Frente ao sabor dos hormônios
Antes adormecidos
A audição aguda presta aos sons mais brandos
Reverência de razão desnuda.
O contato é a alma do desejo
Sinal de vida que amanhece,
É estática carnal que os anjos desconhecem.

                                                            Demócrito Cruz

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