Daqui de onde estou
A chuva é fina como dor sem alento
Na janela um rosto disforme embaça o choro
As aves lançam tristes canções ao vento
Um suave lamento, um acanhado coro.
Daqui de onde estou,
Os pés imóveis esquecem que a caminhada
É o início do fim de uma jornada
Pois o mar e o infinito, quase distintos,
São sinônimos tão claros do que sinto.
Daqui de onde estou,
O doce forasteiro verso não me invade
Sou nau querendo voltar de tempestade
Sem saber para aonde, vagando perdida
Nesta hora o mundo sou eu,
eis aí a minha
medida.
Demócrito Cruz
Demócrito Cruz
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