domingo, 6 de outubro de 2013

Daqui de onde estou

Daqui de onde estou
A chuva é fina como dor  sem alento
Na janela um rosto disforme embaça o choro
As aves lançam tristes canções ao vento
Um suave lamento, um acanhado coro.

Daqui de onde estou,
Os pés imóveis esquecem que a caminhada
É o início do fim de uma jornada
Pois o mar e o infinito, quase distintos,
São sinônimos tão claros do que sinto.

Daqui de onde estou,
O doce forasteiro verso não me invade
Sou nau querendo voltar de tempestade
Sem saber para aonde, vagando perdida
Nesta hora o mundo sou eu,

eis aí a minha medida.

Demócrito Cruz

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