quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Paralelos
Porque as avenidas são tantas, infindas...
E o meu abraço nem chega na esquina
Dura vida da cidade
Onde o quarto é gigante e o coração pequeno
Os amores duram um gole e o luar me entristece
Na curta jornada de um teto a outro.
Me perco entre luzes vermelhas
Parando minha alma ofegante
Quero esverdear o vento!
Me encher de alento.
Porque tudo é cinza e me ensina
A esquecer sorrisos tortos
De belas e puras meninas
Que pulam para a vida sem banho de piscina...
Porque minha vida é alugada
E só existe negra estrada
Sem barro, sem piçarra...
Porque meu corpo é outdoor
E Eu só queria um copo na mesa
Para que eu mesmo me sentisse pior...
Frente às riquezas que ao homem eleva, distingue e afaga
Estão os riscos de ser rico sem céu para comprar
Com luneta, mas sem olho; com flor, mas sem besouro.
Doce é a pobreza dura que machuca a costura
das roupas que o rio lava
E a humilde casa que esconde as asas
de amores alados, de café coado
em coador marrom
dando força as asas dos amores,
E em meio a simples sabores
Fortifica o voo
Ensina o dom
De ser humano
De ser
simplesmente bom...
Demócrito Cruz
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