quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Paralelos



Porque as avenidas são tantas, infindas...

E o meu abraço nem chega na esquina

Dura vida da cidade

Onde o quarto é gigante e o coração pequeno

Os amores duram um gole e o luar me entristece

Na curta jornada de um teto a outro.



Me perco entre luzes vermelhas

Parando minha alma ofegante

Quero esverdear o vento!

Me encher de alento.



Porque tudo é cinza e me ensina

A esquecer sorrisos tortos

De belas e puras meninas

Que pulam para a vida sem banho de piscina...



Porque minha vida é alugada

E só existe negra estrada

Sem barro, sem piçarra...



Porque meu corpo é outdoor

E Eu só queria um copo na mesa

Para que eu mesmo me sentisse pior...



Frente às riquezas que ao homem eleva, distingue e afaga

Estão os riscos de ser rico sem céu para comprar

Com luneta, mas sem olho; com flor, mas sem besouro.



Doce é a pobreza dura que machuca a costura

das roupas que o rio lava

E a humilde casa que esconde as asas

de amores alados, de café coado

em coador marrom

dando força as asas dos amores,

E em meio a simples sabores

Fortifica o voo

Ensina o dom

De ser humano

De ser

simplesmente bom...




                                                    Demócrito Cruz



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Texto na íntegra: http://manifesteu.blogspot.com.br/2014/01/baus.html


Baús

Quando estiverdes certo de tudo
Espera a próxima brisa
Ela talvez te traga a lembrança
Que a certeza é o início de todas as dúvidas.

Viver é mudar
e uma muda se desnuda para ser árvore,
Que já era, mas precisa crescer pra chegar onde já estava.
E assim o mundo gira, correndo parado de um lado a outro
O troco é dinheiro que se faz do mesmo
E a cada dia a terra chega,
E o troco se renova...

As portas e os caminhos, as bocas dos ninhos
Esperam sempre uma passagem
E agem paradas na simplicidade de apenas estarem.
Tudo que faz parte, que já se espera, nada mais é do que o “já é”
Esperando a hora de não ser mais muda, gritar uma presença absurda
Espelhar a existência que nunca deixa de existir
Mesmo quando não está ali,
Mesmo muda, mesmo chegando, mesmo parada...

Hoje abri meu peito e descobri:


Somos todos um baú de novidades empoeiradas.

                                                           Demócrito Cruz

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Um novo janeiro.

Pequei mil vezes por crer na bondade
O que me foi dado pela  idade
Me foi tirado pela paixão.

Pessoas são feitas de luz
E por vezes ofuscam  olhos alheios
Escondendo a escuridão de um coração com receio.

Senti dores indolores
Nas voltas do tempo menino
Que rege meu espirito peregrino
Ébrio de amores.

A vida é feita de riscos
Não vivamos os medos, aproveitemos o dia!
Pois Ousadia é tinta que corrói os dedos
Do monstro que apaga com lágrima
O nosso esboço da alegria.

Sei agora que o mundo é pequeno
E sei que posso tocar o nascente
Ao namorar o poente.

Sou maior que tudo
Sinto em mim um estremecer absurdo
Um ronco agudo
O acalento chorado de beijos mudos
das ondas lentas de um mar raso,
do fulgor  de um oceano estrelado
e da força extrema de um céu profundo.



Demócrito Cruz