Sete primos na mangabeira.
cada galho um cavalo,
um tranpolin...
assim, no calvalgar me atrapalho
caio.
Um corte me abre um talho
Vontade de chorar...
Os outros a brincar.
Engulo o choro, nao morro.
Volto a calvagar e pular,
pois quando a felicidade é partilhada
a dor não é saída.
Mas que madura metáfora da vida!
Demócrito Cruz
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Quando os teus olhos tocarem os meus
Quando
os teus olhos tocarem os meus
As
madrugadas gritarão à lua
E
não serão, as luzes mornas,
na rua
Pontos
sem cargos nas noites
A
brisa unirá
a dor ao meu sonho
E
o peso que no dorso ponho
Será o mundo rindo
asneiras
Ao
meu ouvido doído.
Quando
os teus olhos tocarem os meus
Eis
que serei menos homem
E
tu, com asas em navalhas, serás mulher
E
tudo o que vier será pouco perante
Vossa
força de forca feminina.
Quando
teus olhos tocarem os meus
Todos
os castelos que conquistei,
Toda
muralha em que pisei,
Todo
exército caído ao som do meu
latido
Não será senão uma história pequena
Uma
grande epopeia de um herói rendido
Um
grande vacilo, uma tempestade amena.
Quando
teus olhos tocarem os meus
Toda
fúria, toda raiva, todo
furor
Em
espirais suaves e sibilantes
Soprarão sensivelmente a
esse servo
A
valsa dos vassalos amantes
De
misericórdia, um beijo terno
Um
afago de amor em um peito agonizante.
Quando
os teus olhos tocarem os meus
Não terei mais como
olhar-te
Pois
levaste de mim a calma, a alma
E
o meu sangue...
Quando
esses olhos de fera
Asfixiarem
minha palavra
Aturdirem
minha pele
Sentirei
o frio da claridade e o negro da luz
E
pedirei em soluço:
-
Esqueces de mim, esta escada!
Que
escalas e me faz algo torto, meio morto...
Deixa-me...
que minha cama me
entende
E na dor que me aflige somente ela, me atende...Demócrito Cruz
domingo, 6 de outubro de 2013
Daqui de onde estou
Daqui de onde estou
A chuva é fina como dor sem alento
Na janela um rosto disforme embaça o choro
As aves lançam tristes canções ao vento
Um suave lamento, um acanhado coro.
Daqui de onde estou,
Os pés imóveis esquecem que a caminhada
É o início do fim de uma jornada
Pois o mar e o infinito, quase distintos,
São sinônimos tão claros do que sinto.
Daqui de onde estou,
O doce forasteiro verso não me invade
Sou nau querendo voltar de tempestade
Sem saber para aonde, vagando perdida
Nesta hora o mundo sou eu,
eis aí a minha
medida.
Demócrito Cruz
Demócrito Cruz
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